segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

É noite de lua cheia.
Uma matilha de cães perambula pelas ruas.
Uivam para as nuvens que lentamente atravessam o céu,
uivam para o próprio céu.
Em algum lugar profundo dentro de si mesmos,
algo os chama.
Talvez seja o passado, o passado no qual caminhavam
entre as folhagens de uma mata aberta.
Uivam como parentes de um soldado que foi para a guerra,
lenta e profundamente,
antes de partir para a próxima esquina.
A cidade está adormecida,
talvez uma ou outra pessoa, deitada em sua cama,
ouça a matilha viajar.

26/10/2010


O som de um vento uivante percorre os prédios
da cidade.
É a brisa que, saindo da adolescência, encontra,
nos caminhos invisíveis que o ar percorre para dançar livremente,
sua maioridade.
Talvez passe pelo céu um avião.
Uma bicicleta soa enferrujadamente e solitária em uma rua.

26/10/2010


Então, após amá-la de um jeito que ela nunca pôde imaginar que seria,
eu me levantei e fui fumar um cigarro.
Era ainda cedo, talvez sete da noite. Na distância do corpo aquecido
por sonhos, balancei-me na rede enquanto observava a fumaça entregar-se
ao ar. Seria vasta a atmosfera? Qual amor me aguardava?
Desejei nadar um pouco, e fui para o mar das notas tristes do meu violão.
Preciso de um adeus, pensei.
E sentia que apenas o seu encontro poderia me dizer quem eu realmente era,
não quem gostaria de ser.

01/11/2010

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